quinta-feira, 7 de junho de 2012

Soneto de um pedido

Eu quero ser rosa para o amor
eu quero ser espinho para a dor
mas tudo se revela controverso
eu não sou tudo aquilo que expresso

Criei uma muralha espinheira
em vez de abrir-me feito estribeira
presa em minha própria proteção
blindei minh’alma e meu coração

Me salve desse instinto cativeiro
espeta tua mão, me desabrocha
me tire deste grande frio castelo

Seja meu doce fiel jardineiro
me regue pra que eu fique mais formosa
vem ser meu amor - cravo amarelo

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Deram à minha existência
o nome de sobrevida
Mediram em porcentagem
a minha expectativa
Se - conjunção que conforta
Mas – a eterna ferida
O advérbio talvez,
é o meu sopro que finda

domingo, 27 de maio de 2012

Grades dão porto seguro
Grades confortam o medo
Grades protegem bens
Grades privam o íntimo
Grades criam moradas
Grades blindam o coração
Grades iludem à paz
Grades viram grades
Todos viram reféns!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Namorar

Vem segurar minha mão,
passear em tarde de domingo,
ver filme em dia de chuva debaixo de cobertor,
selecionar um marco, uma canção.

Vem se apoiar em meu ombro,
tatear meu rosto à toa,
e no escuro, conversar sem parar, até dormir,
como se fosse um encanto.

Vem cuidar de mim,
fazer-me um chá quando gripada,
beijar-me ardentemente no cinema,
ser meu amor num amorim.

Andar de bicicleta e mãos dadas,
girar roda gigante em qualquer parque,
trocar presentes sem data marcada,
várias viagens, um só embarque!

Gênero

Meu peito primavera,
brota o oculto,
Minh’ alma é um jardim
perfuma a vida
Sou feita de alecrim,
doce de abóbora
Minha casca de cetim,
o tempo é vulto
Eu sou pandora.

Me acolho semente,
meiga força,
Desabrocho amor e existência
Sou perdão, escudo,
vã leveza,
fogo, água,
porto de riqueza,
pausa e avanço,
verdade e mágoa.

Me visto rocha,
oceano,
Sou fel palavra
grito, luta,
Leoa em dia de caça,
manto, colo e embalo,
parte inteira que se rasga
vento que esparrama
Espada e faro.

O coração

É como rosa que floresce
pétalas que brilham cores vivas
casa – janelas e portas abertas
alma que passeia pelas frestas
refúgio, ombro, que o anjo visita.

É como terra fértil pra plantio
disposta a cultivar a qualquer custo
o seu arar singelo como música
sua coragem, força que assusta
o seu amor é o melhor adubo.

Há peças que nele não se encaixam:
o medo – inércia que derruba
a corvardia – uma apática fuga
o egoísmo - crença que anula
o ódio, a dor, frieza, angústia, culpa
.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cuidar requer dedicação
amar requer desprendimento
sonhar, querer acreditar
viver, querer viver
querer, requer espera...
requerer o querer

sábado, 6 de agosto de 2011

Questão

Por quê?
Indagação...
ninguém sabe por que razão,
motivo, causa, consequência,
a verdade desta fração.
Porque a dúvida,
companheira do fato,
não responde ao caso,
mistério da vida,
não sei o porquê...

Devagarinho...

Devagarinho...
sentir miudinho,
grandioso momento,
do singelo, do simples, 
viver!

Ai, ai, ai


Ai o homem,
esse ser insaciável,
que de tanto vazio...
esvazia a própria vida!

Ai o amor,
esse sentimento,
nasce de repente...
vai embora devagar!

Ai a vida,
essa existência,
entendida num suspiro...
resumida num refrão!

Ai o silêncio,
esse eterno instante,
afugenta a dúvida...
responde à minha dor

domingo, 1 de maio de 2011

Procuro algo pra me preencher
ou me esvaziar...
Me virar do avesso,
fim ou começo,
me desalojar...
(escrito em 09/02/2011)

Roda

O peso da vida,
o fardo da alma.
O ciclo que encerra
no  círculo que movimenta.
O ponto que se expande
pra fazer seguir adiante...
Leveza esperada,
de uma tonelada,
agora esparramada,
transformação constante!
(escrito em 25/02/2011)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

FULANO DE TAL

Hoje morreu Fulano de Tal
talvez saia uma nota na página policial.
Alguém sai à procura do seu nome,
outro diz "é menos um vagabundo" e  some.

Fulano de Tal morre ou é morto?
ninguém sabe.
Mas também o que isto importa pra sociedade?
Somos mais um na estatística da morte
um número subtraído no jogo da sorte.

Fulano de Tal sem casa e paletó
Magrão, seu apelido- identidade
mais um lixo na grande cidade,
que a gente ignora ou tem dó.

E assim Fulano Magrão já era
nem lugar pra morrer, quem dera
Talvez objeto para anatomia
o posto que melhor ele ocuparia.

Esta é a contradição
Nem sempre quem trabalha
enche de moeda a mão
dá duro pra um mísero salário
e ainda dá lucro pra otário

Trabalhar pra quê?
Se não leva a nada.
se salário de político
é o maior da bancada...

Fulano de Tal
malandro, vagabundo
um jeca preguiçoso
Sem pouso,
moribundo.

Hoje Fulano de Tal dorme em paz
talvez agora encontre um conforto a mais
pois aqui o inferno é a regra
e o amor, a única coisa que quebra
e eu fico com minha crise moral
pensando em quem seria Fulano de Tal.

(escrito em 16/03/2003 - baseado em fato real)

BILHETE

Quando olhares para o céu,
e não veres uma nuvem,
mas um coração.
Verás que é o meu,
que de tanto amor inchou
e como um pássaro voou.
(escrito em 17/12/1998)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

DOCE SAL

Água doce 
não tem lágrima
molha, limpa,
salva a alma.

Mar é  sal
suor, calma
onda, fúria
farta falta.

Eu sou grão
gelo, brasa,
frágil sonho
dor, mágoa.

JOGO

Fogo,
arde, esfria, seca
Boca,
fala, cospe, cerra
Palavra,
ouve, sente, prega.

PRESSER

Eu tenho pressa:
a pressa pra comer
a pressa pra amar
a pressa pra ter
a pressa pra trabalhar
a pressa pra receber
a pressa pra descansar
a pressa pra sofrer
a pressa pra olhar
a pressa pra saber
a pressa pra viajar
a pressa pra conhecer
a pressa pra dar
a pressa pra acontecer
a pressa  pra sonhar
a pressa pra viver...
Pressa que cessa
que encerra
a própria vontade de viver.

PRIMAVERA

No chão - pontinhos vermelhos
ar de cheiro
época de  flores.

CIDADE

Cheiro de esgoto
vida em tubulação
...a cidade.

CONSTRUÇÃO

Areia, cimento, cal
corpo pinga água salgada
casa em construção.